O RETRATO DE DORIAN GRAY
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O Retrato de Dorian Gray, escrito por Oscar Wilde em 1890, continua extremamente atual. Durante a leitura, me dei conta de que, na nossa sociedade, o número de “Dorian Grays” só se multiplicou.
Em tempos de redes sociais, envelhecer virou sinônimo de decadência e fracasso — quase um pecado mortal. Em contrapartida, o culto à juventude e à beleza tornou-se algo exagerado e obsessivo.
Dorian é um jovem extremamente belo e, em determinado momento da história, tem seu retrato pintado por Basil. Ele se encanta tanto com a própria imagem que passa a sentir um medo profundo de envelhecer. É então que faz um pacto: manter aquela aparência para sempre.
“Que coisa profundamente triste”, murmurava Dorian, com os olhos fixos no retrato. “Sim, profundamente triste! Eu ficarei velho, aniquilado, hediondo! Esta pintura continuará sempre fresca. Nunca será vista mais velha do que hoje, neste dia de junho… Ah! Se fosse possível mudar os destinos e se fosse eu quem devesse conservar-me novo, e se essa pintura pudesse envelhecer! Por isso eu daria tudo! Não há no mundo o que eu não desse. Até minha alma!”
E o desejo de Dorian é atendido.
O retrato passa a absorver tudo: as marcas do tempo, os pecados, a crueldade e a degradação moral de Dorian. Enquanto o mundo se deleita com sua juventude e beleza intactas, o quadro revela a decadência de sua alma.
Ao longo da história, Dorian esconde a pintura em um quarto ao qual só ele tem acesso. O medo era que o retrato fosse descoberto — e, com ele, a verdade sobre quem Dorian realmente era.
Assim, ele mantém duas existências: uma pública, elegante e bela; e outra secreta, cruel e monstruosa.
No livro, podemos observar também uma crítica secundária feita pelo autor à mulher que abandona seus sonhos e talentos e se anula em nome de um amor romântico idealizado. É o que acontece com a personagem Sibyl, que apaga sua própria identidade e aposta todas as suas fichas em um romance.
Para quem ama um bom clássico, essa leitura é indispensável. Oscar Wilde denuncia, brilhantemente, uma sociedade em que a aparência vale mais do que a moral. Em tempos de etarismo e de busca excessiva pela juventude eterna, O Retrato de Dorian Gray nos lembra de algo fundamental: envelhecer é uma verdade universal.










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