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VIDAS SECAS

  • 12 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Na terra seca onde moravam, a sede e a fome os devoravam.

​Na paisagem árida da caatinga, entre grunhidos e gemidos, Fabiano se perguntava: “Será que sou bicho?”

​Entre mandacarus, xique-xiques e baraúnas, passava sufoco por falar pouco.

​Vivia em constante desespero, porque o flagelo da seca era seu maior pesadelo.





Vidas Secas, de Graciliano Ramos, publicado em 1938, é um livro modernista marcado pelo regionalismo. A obra denuncia e expõe o flagelo e a miséria que uma família de retirantes enfrenta devido à seca do sertão nordestino.

A família é composta por Fabiano, sinhá Vitória, dois filhos, um papagaio e a cadela Baleia. Pessoas simples, sem instrução e que foram moldadas pelo ambiente em que viviam. No início da trama, é mostrado que até o papagaio foi moldado pelo ambiente no qual estava inserido. Quando a fome apertou demais, o papagaio foi aproveitado como alimento, e a justificativa foi que era mudo e inútil. “Não podia deixar de ser mudo. Ordinariamente a família falava pouco.”

Percorriam grandes distâncias fugindo dos efeitos da seca; para onde olhavam era miséria e desolação. A fome e a sede eram constantes. Quando o período de seca chegava, destruía tudo o que tocava: o gado morria, o rio secava e a paisagem tornava-se cinza. “Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram as suas desgraças e os seus pavores.” A família ansiava por uma vida melhor. Tinham esperança que a chuva chegasse e que toda aquela paisagem se transformasse.

Durante a leitura da obra, fica claro que a escassez não consistia somente em alimentos, mas também em conhecimento, instrução, vocabulário e desenvolvimento. O autor mostra como essas pessoas eram enganadas por carecerem de conhecimento e argumentos. A comunicação dos membros da família se resumia a sons guturais e às poucas palavras que não sabiam os significados.

O livro é curto, enxuto, direto, porém profundo. Marcado por uma linguagem regionalista, o leitor tem que recorrer diversas vezes ao dicionário, o que, no entanto, não tira o encanto da obra. Graciliano Ramos consegue inserir o leitor sem dificuldades naquele cenário de aridez, escassez e miséria extrema. É uma leitura de grande importância, visto que a seca é um fenômeno que castiga o povo nordestino há décadas e que continua servindo como moeda de troca para garantir apoio eleitoral e outros interesses escusos.

 
 
 

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